“Não gostei”, Valdemar critica carta de Flávio Bolsonaro

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) após a derrota na disputa presidencial. “Não gostei”, declarou o dirigente nesta quinta-feira (29), ao chegar ao condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar, para uma reunião autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Valdemar chegou ao local por volta das 9h e afirmou que pretende atualizar o ex-presidente sobre os acontecimentos recentes e os rumos do partido. “Estou com saudade do Bolsonaro, tem muito tempo que eu não vejo ele. […] Vai ser boa a conversa porque eu vou levar muitas novidades pra ele, contar como é que tá toda a situação pra ele e vai dar tudo certo”, disse a jornalistas.
A reunião ocorre em um momento de tensão na legenda, após a derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), e a saída do senador do território brasileiro.
Carta de Flávio provoca divergência dentro do PL
O documento publicado por Flávio Bolsonaro gerou repercussão por questionar o resultado das eleições e pela forma como o senador se apresentou no texto. Na primeira versão, ele se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e divulgou uma nova versão, na qual passou a se definir como “líder” do país.
O senador manteve acusações de fraude eleitoral, mas não apresentou provas para sustentar as alegações. Também afirmou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. A versão inicial da carta trazia um brasão histórico da República com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, antiga denominação oficial do país.
A manifestação contrastou com a posição oficial do PL. Depois da divulgação do resultado eleitoral, a direção partidária publicou uma nota assinada por Valdemar Costa Neto reconhecendo o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Rogério Marinho (PL-RN), senador que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também declarou que o núcleo político da candidatura não havia sido informado antecipadamente sobre a saída do candidato do país.
A carta provocou reações no meio político e no Judiciário. Horas após a publicação do documento, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as eleições transcorreram normalmente e respeitaram as regras constitucionais.
Resultado eleitoral e reorganização do partido
No segundo turno, Lula recebeu 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 59,8 milhões, alcançando 48,21%.
Diante do resultado, o PL iniciou articulações para definir os próximos passos da legenda. Valdemar convocou dirigentes estaduais para uma reunião destinada a alinhar o posicionamento do partido e discutir sua atuação política.
Saída de Flávio do Brasil surpreendeu aliados
Após a derrota eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes. Apesar da medida, o senador deixou o Brasil na terça-feira (27).
Segundo informações sobre o deslocamento, Flávio cruzou a fronteira com a Argentina às 22h50, fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para os Estados Unidos em uma aeronave particular.
Dados do FlightRadar24, plataforma de monitoramento de voos, indicaram que o avião pousou às 9h23, no horário local 10h23 em Brasília, no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida.
A viagem teria surpreendido integrantes da cúpula do PL e outros participantes da campanha. A movimentação também foi acompanhada pela circulação de informações falsas sobre o paradeiro do senador. Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que ele já havia chegado aos Estados Unidos, Flávio ainda estaria em território brasileiro.
A saída do país, somada à carta divulgada após a derrota, ampliou o desgaste político e colocou a direção do PL diante do desafio de reorganizar sua atuação e administrar as divergências entre suas principais lideranças.
Fonte: CNN brasil





