O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu à pressão popular a decisão do PL de apoiar o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração foi feita nesta terça-feira (13), no Palácio do Planalto, após o senador Flávio Bolsonaro anunciar que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas.
A mudança de posicionamento ocorre a 12 dias da eleição presidencial, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro. A aprovação da proposta é uma das principais apostas de Lula na tentativa de reverter o cenário eleitoral e superar Flávio nas urnas.
Durante a cerimônia de anúncio de perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), Lula comentou a decisão do partido adversário e associou o apoio à reação da população.
“Parece que, depois da pressão da sociedade, o PL resolveu votar o fim da escala 6×1. De vez em quando fico pensando… Se todo mal que eu causar a este país for fazer a direita avançar e atender os interesses do povo brasileiro, vou continuar a fazer isso”, afirmou o presidente ao encerrar seu discurso.
Flávio anuncia apoio, mas defende mudanças na proposta
O senador Flávio Bolsonaro anunciou nesta terça-feira que votará favoravelmente à PEC, depois de ter feito críticas à iniciativa defendida pelo governo Lula. Apesar da mudança, ele afirmou que considera necessário discutir alternativas para permitir maior flexibilidade na organização das jornadas de trabalho.
Flávio também defendeu que o governo compense as empresas pelos custos decorrentes da redução da carga horária.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor. Só que a gente defende algo ainda melhor. Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. (…) Mas acho que é um processo de evolução. A gente tem que buscar fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior, sim”, declarou.
A PEC tem previsão de votação na quarta-feira (14), no Senado. A proposta estabelece a diminuição do limite semanal de trabalho de 44 para 40 horas.
Lula cobrou posicionamento da oposição
Na segunda-feira (12), após participar de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, Lula já havia pressionado a oposição a esclarecer como pretende votar a proposta.
O presidente afirmou que os adversários políticos estariam tentando adiar a discussão até depois das eleições, quando, segundo ele, poderiam se posicionar contra a medida sem o receio de perder apoio eleitoral.
“Sei que a oposição está tentando protelar, porque depois das eleições eles vão ter coragem de votar contra. Eles agora estão com medo de votar contra. Quero que o PL mostre se vai votar contra ou a favor. O Flávio, como senador, pode apertar o botão e dizer se vai votar sim ou não. É simples. Não tem trauma”, disse Lula.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou espaço na disputa presidencial e se tornou um dos pontos de divergência entre o governo e seus adversários. A proposta busca reduzir a jornada semanal e ampliar o período de descanso dos trabalhadores.





