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INTERNACIONAL

Colisão entre trens de alta velocidade na Espanha deixa 64 mortos e 179 feridos

Acidente ocorreu na província de Toledo, durante o trajeto entre Madri e a Andaluzia

Por Helma Bessa
Foto: Reprodução

Uma colisão envolvendo dois trens de passageiros de alta velocidade deixou ao menos 64 mortos e 179 feridos nesta quarta-feira, na província de Toledo, na Espanha. O balanço parcial foi divulgado pela Proteção Civil espanhola enquanto as equipes de resgate continuam trabalhando no local. Entre os feridos, pelo menos 50 estariam em estado grave, segundo informações divulgadas pela imprensa espanhola.

O acidente aconteceu às 8h54 no horário local (4h54 em Brasília), em um trecho da linha ferroviária de alta velocidade que conecta Madri à região da Andaluzia. As duas composições envolvidas pertenciam às empresas Renfe, estatal espanhola, e Iryo, operadora privada.

A gravidade do impacto provocou o descarrilamento de vagões, alguns dos quais tombaram em uma ribanceira. As circunstâncias da colisão ainda estão sendo apuradas pelas autoridades.

Como ocorreu o acidente

Um dos trens havia partido de Madri com destino a Sevilha e transportava 397 passageiros. A outra composição, operada pela Iryo, levava 147 pessoas e estava parada no trecho entre as estações de Los Yébenes e Urda, ambas na província de Toledo.

Informações preliminares apontam que os dois trens estariam na mesma linha ferroviária no momento da colisão. Rafael Escudero, porta-voz do Sindicato Ferroviário, afirmou à emissora Antena 3 que a dinâmica do acidente ainda precisava ser esclarecida. A possibilidade de falha humana também foi mencionada em relatos da imprensa espanhola, mas não havia confirmação oficial sobre as causas.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, convocou uma entrevista coletiva para as 14h no horário local (10h em Brasília), quando deverá apresentar informações sobre a ocorrência.

Operação de resgate mobiliza equipes de emergência

Diante da dimensão da tragédia, o governo de Castilla-La Mancha acionou o Plano Territorial de Emergência da região (PLATECAM), em fase de emergência e situação operacional 1, para a província de Toledo.

Os trabalhos de atendimento mobilizaram equipes de bombeiros, três helicópteros e duas unidades móveis de terapia intensiva. O Ministério do Interior também determinou o envio da Unidade Militar de Emergências para reforçar as operações.

O prefeito de Urda, Manuel Galán, informou que a Defesa Civil solicitou a preparação de um pavilhão municipal, que poderá ser utilizado para prestar assistência ou acolher passageiros afetados pelo acidente.

Governo espanhol manifesta pesar

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, manifestou pesar pela ocorrência e cancelou seus compromissos como chefe de governo e de campanha, em meio à preparação para as eleições previstas para 29 de novembro.

“Consternado com o grave acidente ferroviário em Toledo”, escreveu Sánchez.

O líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, também se pronunciou e declarou estar “muito preocupado com o novo acidente”.

Já o rei Felipe VI lamentou a tragédia em declaração à televisão espanhola. “a primeira coisa é lamentar essa terrível desgraça”, afirmou, ao transmitir seus pêsames às famílias atingidas.

Circulação ferroviária é suspensa

A administradora da infraestrutura ferroviária espanhola, Adif, anunciou a interrupção do tráfego de trens de alta velocidade no corredor entre Madri e a Andaluzia. A Renfe também suspendeu operações entre a capital, Ciudad Real e destinos no sul do país.

Para atender ao aumento da procura por transporte alternativo, a companhia aérea Iberia estabeleceu um limite máximo para os preços das passagens com origem ou destino à Andaluzia até 8 de novembro.

Novo acidente reacende debate sobre segurança

A Espanha possui cerca de 4 mil quilômetros de linhas ferroviárias de alta velocidade, uma das maiores redes do mundo, atrás apenas da China. A infraestrutura é considerada um dos destaques do sistema de transportes do país.

A nova tragédia, porém, volta a colocar em discussão as condições de manutenção da malha ferroviária e a segurança dos passageiros. O debate havia ganhado força após outro grave acidente ocorrido em 18 de janeiro, nos arredores de Adamuz, na província de Córdoba, que deixou 46 mortos.

As causas da colisão em Toledo ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

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