O jornalista Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira (21), aos 77 anos. Com mais de quatro décadas de carreira, ele foi um dos profissionais responsáveis por consolidar no Brasil o modelo de âncora no telejornalismo, no qual o apresentador também participa da edição e da definição do conteúdo do noticiário. Monforte estava em tratamento contra um câncer.
Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, Carlos Monforte iniciou a carreira como repórter no jornal A Tribuna, antes mesmo de concluir a faculdade de Jornalismo. Formado em 1972, trabalhou na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo e, entre 1973 e 1978, atuou como repórter especial de O Estado de S. Paulo.
Durante esse período, buscou aperfeiçoamento profissional no exterior. Monforte realizou cursos na Universidade de Navarra, na Espanha, e na Fundação Beauve Marie, na França.
Trajetória na Globo
Monforte chegou à TV Globo em 1978, após ser convidado por profissionais da redação da emissora em São Paulo. Inicialmente, trabalhou como repórter local e passou a participar de coberturas para o Jornal Nacional e o Fantástico.
Entre os acontecimentos que cobriu estavam as greves dos metalúrgicos do ABC Paulista, um dos principais movimentos trabalhistas do período.
A adaptação ao meio televisivo, no entanto, exigiu tempo. O próprio jornalista reconheceu que precisou de alguns anos para dominar as particularidades da televisão.
“Foi um susto. Eu confesso que tive de passar dois anos para aprender televisão”, afirmou Monforte ao recordar o início de sua trajetória na emissora, segundo o Memória Globo.
Em 1982, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e passou também a apresentar o Bom Dia São Paulo. No ano seguinte, com a criação do Bom Dia Brasil, tornou-se editor-chefe e apresentador do telejornal.
Monforte permaneceu à frente do programa durante nove anos. Naquele período, o Bom Dia Brasil tinha forte concentração de conteúdo nas áreas de política e economia e realizou centenas de entrevistas com políticos, empresários e outras personalidades.
Pioneiro no modelo de âncora
Carlos Monforte também teve papel importante na consolidação de um novo modelo de apresentação de telejornais no país. Diferentemente do formato tradicional, o âncora não apenas apresentava as notícias, mas participava diretamente da edição e da definição da ordem e do conteúdo do programa.
O jornalista costumava destacar a diferença entre o modelo adotado no Brasil e a tradição norte-americana.
“No Brasil, o âncora é o editor-chefe: ele comanda, diz o que entra no jornal, qual será a sequência dos blocos”, explicou.
Ao longo de sua carreira, Monforte se tornou uma referência no jornalismo político e televisivo brasileiro, deixando uma trajetória marcada pela participação em importantes coberturas e pela contribuição para a evolução do formato dos telejornais.




