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Avião da Voepass que caiu em 2024 não poderia ter decolado, diz Cenipa

Documento também descreve falhas de manutenção, cultura operacional e descumprimento de procedimentos

Por Helma Bessa
Foto: Fábio Passalacqua

Um outro avião da Voepass entrou em condição de stall  quando a aeronave perde sustentação cerca de oito meses antes do acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), mas conseguiu recuperar o controle e prosseguir o voo.

O episódio aconteceu em dezembro de 2023 e não foi comunicado nem à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nem ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), como determinam os protocolos de segurança.

A informação consta no relatório final do Cenipa, ao qual a CNN Brasil teve acesso em primeira mão. Segundo o documento, o órgão tomou conhecimento do episódio apenas durante a investigação do acidente com o voo 2283 e confrontou a companhia aérea sobre a omissão.

De acordo com o relatório, o caso anterior apresentava características semelhantes às verificadas no acidente de Vinhedo e poderia ter contribuído para a adoção de medidas preventivas, caso tivesse sido formalmente reportado aos órgãos responsáveis.

Além desse episódio, o relatório traz uma série de apontamentos sobre falhas operacionais identificadas na Voepass durante a investigação.

Entre elas, o documento cita a realização de serviços de manutenção por mecânicos sem a devida supervisão, contrariando procedimentos previstos para esse tipo de atividade.

O Cenipa também aponta que, diante das condições meteorológicas previstas para o horário da decolagem, a aeronave não deveria ter sido despachada para o voo. A investigação concluiu que a previsão de formação de gelo e de chuva exigia uma avaliação operacional mais conservadora.

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