Especialistas defendem avanço mais rápido da vacinação contra a gripe durante o inverno

Mais de 1,2 milhão de doses já foram aplicadas em Goiás, mas médicos alertam que a procura pelo imunizante precisa crescer nas próximas semanas
Menor adesão à vacina contra a gripe favorece a circulação do vírus e pode aumentar o risco de surtos (Imagem: Pexels)

Com a chegada do inverno e a expectativa de aumento dos casos de doenças espiratórias, especialistas reforçam a importância da vacinação contra a gripe.

Em Goiás, pouco mais de 1,2 milhão de doses já foram aplicadas contra a influenza, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Deste total, cerca de 245 mil foram destinadas ao público não prioritário, que passou a ter acesso ao imunizante após a ampliação da campanha para toda a população e representa aproximadamente 20% das aplicações registradas desde então.

Embora a Secretaria considere prematuro avaliar a procura do público geral pela vacina, especialistas defendem que a participação desse grupo continue avançando nas próximas
semanas. Para o médico alergista, imunologista e otorrinolaringologista Márcio Niemeyer, o aumento da cobertura vacinal se torna ainda mais importante neste período do ano, marcado por condições que favorecem a transmissão de doenças respiratórias.

“A abertura da vacinação para toda a população foi uma medida importante, mas é fundamental que a procura continue crescendo. Quanto mais pessoas estiverem imunizadas, menores serão as chances de casos graves. Estamos entrando em um período que favorece a transmissão de infecções respiratórias e a vacina continua sendo a principal forma de prevenção”, afirma
Niemeyer.

As temperaturas mais baixas e o clima mais seco favorecem a disseminação de vírus que afetam o sistema respiratório. “As pessoas costumam permanecer por mais tempo em ambientes fechados e com menor ventilação, o que facilita a transmissão. Além disso, o clima seco pode
contribuir para o ressecamento das vias respiratórias, tornando o organismo mais vulnerável”, destaca.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina protege durante os meses de maior circulação da influenza, reduzindo o agravamento da doença, as internações e os óbitos, além de contribuir para diminuir a transmissão do vírus.

O especialista lembra ainda que a vacina contra a influenza deve ser tomada todos os anos porque o vírus sofre mutações frequentes. Por isso, a composição do imunizante é atualizada anualmente com base no monitoramento das cepas de maior circulação realizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

“A melhor forma de se proteger da gripe é por meio da vacinação anual. Além disso, medidas complementares como higienizar as mãos com frequência, evitar contato com pessoas sintomáticas e procurar atendimento médico diante de febre persistente ou mal-estar intenso ajudam a reduzir os riscos de infecção”, orienta.

Vacina salva vidas

Embora muitas vezes seja tratada como uma doença leve, a gripe pode evoluir para quadros graves e até levar à morte. Dados do Ministério da Saúde apontam que 505 pessoas morreram em decorrência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associada aos vírus Influenza A e B no Brasil entre janeiro e maio deste ano.

Além da proteção individual, a vacinação tem papel importante na redução da circulação do vírus na comunidade. Quando menos pessoas se vacinam, maiores são as chances de o vírus continuar circulando e alcançar pessoas mais vulneráveis às complicações da gripe. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a cadeia de transmissão e maior a proteção coletiva.

“A gripe não é uma doença banal. Todos os anos ela provoca internações e mortes que poderiam ser evitadas com a vacinação. Quanto antes a população procurar os postos de saúde, maior será a proteção durante o período de maior circulação do vírus”, conclui o médico.

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