As oclusões vasculares da retina estão entre as causas mais frequentes de perda visual súbita em adultos e idosos. Elas ocorrem quando um dos vasos sanguíneos que irrigam a retina fica obstruído, interrompendo a chegada de oxigênio e nutrientes ao tecido responsável pela formação das imagens.Essa obstrução pode acontecer em artérias ou em veias e está diretamente relacionada a fatores comuns na população brasileira, como pressão alta, colesterol alto, diabetes, tabagismo e problemas cardiovasculares. O grande risco é que muitas pessoas não sabem que esses problemas sistêmicos podem afetar diretamente a visão e só descobrem o quadro quando a perda visual já ocorreu.
A retina é uma estrutura extremamente sensível. Quando o fluxo de sangue é comprometido, as células começam a sofrer danos em poucos minutos. Em alguns casos, a perda visual é imediata; em outros, surge como embaçamento repentino, manchas escuras no campo de visão ou distorções. A gravidade depende do local da obstrução e da rapidez do diagnóstico. Por isso, as oclusões vasculares são consideradas emergências oftalmológicas: quanto mais rápido o paciente é atendido, maiores as chances de preservar parte da visão.
Como ocorre a obstrução dos vasos e quem tem mais risco de desenvolver o problema
Existem dois tipos principais de oclusões: arteriais e venosas. As oclusões arteriais interrompem o fluxo de sangue de forma imediata e têm pior prognóstico, ainda mais quando acometem a artéria central da retina e comprometem todo o tecido retiniano.
Já as oclusões venosas podem afetar apenas parte da retina ou sua totalidade, dependendo do vaso envolvido. Em ambos os casos, o mecanismo se assemelha ao que ocorre em infartos e AVCs: placas de gordura, coágulos ou alterações no calibre dos vasos impedem a passagem normal do sangue.
Os fatores de risco são bem estabelecidos. A pressão alta sem controle é o principal deles, pois danifica a parede dos vasos e favorece obstruções. O colesterol alto contribui para a formação de depósitos que entopem as artérias. O diabetes, especialmente quando mal controlado, altera a qualidade dos vasos e aumenta a viscosidade do sangue. Tabagismo, sedentarismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares completam o cenário. Em muitos casos, a oclusão retiniana é o primeiro sinal de um problema cardiovascular ainda não diagnosticado.
Sintomas de alerta e importância do atendimento imediato
Os sintomas costumam surgir de forma repentina. Visão embaçada, perda parcial ou total da visão em um dos olhos, sombras escuras, distorções e pontos cegos são sinais que exigem avaliação imediata por um especialista. O exame de fundo de olho permite identificar rapidamente o tipo de oclusão e iniciar o tratamento adequado.
Em alguns casos, a investigação clínica revela doenças sistêmicas que precisam de manejo urgente, como hipertensão grave, diabetes descompensado ou distúrbios de coagulação.
O tratamento varia conforme o tipo de oclusão, mas o objetivo principal é recuperar o fluxo de sangue e evitar danos permanentes. Nas oclusões arteriais, a janela terapêutica é muito curta, o que torna a urgência ainda maior. Nas oclusões venosas, terapias com medicamentos anti-VEGF e laser ajudam a controlar o edema macular e estabilizar a visão. A longo prazo, o controle rigoroso da pressão arterial, do colesterol e da glicemia é essencial para prevenir novos episódios.
O olho é uma extensão do sistema cardiovascular, e as doenças que afetam o coração e os vasos também podem atingir a retina. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda imediatamente é a forma mais eficaz de evitar sequelas. Para quem já tem fatores de risco, consultas regulares com o oftalmologista são fundamentais para detectar alterações precoces e garantir que a visão seja preservada por muitos anos.
Dra. Tayuane Ferreira Pinto – CRM/PR 37.321 – RQE 27.741
Oftalmologista | Membro da Brazil Health
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