Prefeitura reafirma condições de funcionamento do aterro sanitário

Prefeito Sandro Mabel cita relatórios técnicos que atestam viabilidade do aterro
Foto: Secom

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (27/6), o prefeito Sandro Mabel reforçou a legalidade e viabilidade do funcionamento do Aterro Sanitário de Goiânia. Ele citou o mais recente relatório do Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades (IPGC), divulgado em junho, que atribuiu nota 7,5 à estrutura classificação de “parcialmente adequada”, com viabilidade de continuidade das operações.

Outros relatórios também embasam a posição da prefeitura. A consultoria Fral, especializada em projetos ambientais, atestou em 2022 que o aterro tem plenas condições de operar por mais sete anos, mesmo sem adaptações. Já a Controladoria-Geral da União (CGU), em vistoria recente, elogiou a estrutura e a equipe técnica do local.

O prefeito destacou que o plano da gestão é modernizar totalmente o espaço em até dois anos, com a implantação de uma estação definitiva de tratamento de chorume e aproveitamento do gás gerado para produção de energia. A água tratada será desmineralizada e poderá ser usada industrialmente ou vendida. Também está prevista a criação de uma Central de Tratamento de Resíduos (CTR). “Abandonar o aterro hoje significaria aumentar os riscos ambientais. Nossa meta é transformá-lo em um dos mais modernos do país”, afirmou.

Críticas à Semad

A presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), Zilma Peixoto, contestou o relatório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semad), que aponta riscos estruturais no aterro. Segundo ela, o documento carece de base técnica e não apresenta estudos ou cálculos detalhados. Entre os pontos questionados, está a suposta ausência de um supervisor técnico profissional que, segundo a prefeitura, atua no local e foi elogiado pela CGU.

Zilma afirmou que 20 dos 34 itens listados pela Semad são contestados pela prefeitura por falta de embasamento técnico. Ela também relatou que, em reuniões com o Ministério Público, foram apresentados relatórios detalhados com medidas já adotadas e prazos para resolver pendências, visando a obtenção de uma licença corretiva. No entanto, o pedido foi negado pela Semad, que exigiu o encerramento da operação em um prazo considerado inviável.

Investimentos e economia

Entre os investimentos feitos pela gestão estão obras de adequação do aterro, como limpeza e correção de taludes, cobertura diária dos resíduos, drenagem de chorume e gás e aquisição de 12 novos equipamentos (tratores, escavadeiras, pás carregadeiras e caminhões).

O prefeito destacou que o município já iniciou o processo de contratação de uma empresa para o monitoramento ambiental e geotécnico do local, além da licitação para implantação de uma unidade de tratamento de chorume. Também será contratado serviço para o beneficiamento de resíduos da construção civil, promovendo destinação correta.

Sandro Mabel defendeu ainda a continuidade da operação municipal, afirmando que o custo do tratamento de lixo no aterro público é de cerca de R$ 40 por tonelada, contra até R$ 170 em aterros privados. “Não vamos ceder a pressões para enviar nosso lixo a empresas privadas. A economia gerada aqui será reinvestida em soluções sustentáveis e definitivas”, pontuou.

Operação sustentável

A prefeitura planeja adotar tecnologias semelhantes às usadas na Europa, com capacidade para reciclar até 65% do lixo e incinerar o restante sem geração de resíduos ou chorume. “Queremos um modelo limpo, moderno e eficiente, onde nada se perde”, destacou o prefeito.

A gestão reforça que o encerramento prematuro do aterro causaria risco ambiental e impacto direto na coleta de lixo da capital, que gera cerca de mil toneladas de resíduos por dia. O município segue em busca de alternativas técnicas e legais para manter o funcionamento regular da unidade, com responsabilidade ambiental e foco no interesse público.

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