Mãe de crianças atípicas, Zilma Almeida decide entrar para a política para defender inclusão e direitos das famílias

Maranhense de origem e goiana de coração, Zilma afirma que a experiência com as filhas gêmeas despertou o desejo de transformar vivências em políticas públicas
Reprodução via Instagram

A experiência como mãe de crianças atípicas foi o ponto de partida para que Zilma Almeida decidisse ingressar na política e colocar seu nome à disposição para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás. Moradora de Palmeiras de Goiás, Zilma Almeida é mãe de meninas gêmeas de 8 anos e afirma que a rotina de cuidados, terapias, escola e busca por atendimento especializado fez com que passasse a enxergar de perto as dificuldades enfrentadas diariamente por milhares de famílias.

A experiência com as filhas, segundo ela, despertou uma nova percepção sobre os desafios da maternidade atípica e reforçou a necessidade de ampliar o debate sobre inclusão, acesso à saúde, educação e garantia de direitos para pessoas com deficiência e suas famílias.

Antes da política, Zilma se define como mulher, mãe, esposa, estudante e empreendedora. Maranhense de origem e goiana de coração, ela conta que construiu sua trajetória com trabalho, fé e perseverança. Segundo ela, a decisão de entrar para a vida pública não nasceu de um projeto pessoal, mas da necessidade de ampliar uma luta que começou dentro de casa.

A política, para mim, não é um projeto pessoal. É uma consequência da minha história e do compromisso que assumi com tantas famílias que precisam ser ouvidas”, afirma.

Ao acompanhar de perto as necessidades das próprias filhas, Zilma passou a vivenciar dificuldades relacionadas ao acesso a diagnóstico, terapias, profissionais especializados, educação inclusiva e rede de apoio. Para ela, muitas vezes os direitos existem na legislação, mas não chegam de forma efetiva às famílias.

A maternidade atípica também trouxe desafios pessoais. Além dos cuidados com as filhas, ela precisou conciliar maternidade, estudos e vida profissional, enfrentando o desgaste físico e emocional provocado pela necessidade constante de buscar atendimento e garantir direitos.

Talvez o maior desafio tenha sido transformar a dor e as dificuldades em força para continuar. Aprendi que não basta lutar pelas minhas filhas. Quando a gente conhece essa realidade, passa a querer transformar o caminho para que outras mães não precisem enfrentar as mesmas barreiras”, relata.

Ao acompanhar de perto as necessidades das próprias filhas, Zilma passou a vivenciar dificuldades relacionadas ao acesso a diagnóstico, terapias, profissionais especializados, educação inclusiva e rede de apoio.

Da experiência pessoal para a vida pública

Para Zilma, um dos principais fatores que a levaram a considerar a entrada na política foi perceber que os problemas enfrentados por sua família não eram casos isolados. Dificuldades para conseguir terapias, atendimento especializado, educação inclusiva e apoio às famílias, segundo ela, fazem parte da realidade de muitas outras pessoas.

A partir dessa percepção, surgiu a ideia de levar a experiência para os espaços onde as políticas públicas são discutidas e definidas.

A política surgiu como uma extensão da minha luta como mãe. Eu não quero entrar na política porque tenho todas as respostas; quero entrar porque conheço os problemas de perto e quero ajudar a construir soluções”, afirma.

Caso consiga chegar à Assembleia Legislativa de Goiás, Zilma diz que pretende atuar principalmente em pautas relacionadas à inclusão, às pessoas com deficiência, à saúde, à educação e ao apoio às famílias atípicas.

Ela defende que a inclusão precisa ultrapassar o discurso e se transformar em ações concretas, com diagnóstico, tratamento, acesso a terapias, profissionais capacitados, acessibilidade e escolas preparadas para atender diferentes necessidades.

“Inclusão não é favor”

A experiência como mãe também mudou a forma como Zilma enxerga as políticas públicas. Para ela, quando um serviço não funciona, o impacto ultrapassa os números e as estatísticas.

Quando uma política pública não funciona, não é apenas um número em uma estatística: é uma mãe que perde o sono, é uma criança que deixa de ter acesso a um direito, é uma família inteira que precisa lutar para ser ouvida”, destaca.

Entre as principais bandeiras que pretende defender está a construção de uma rede de atendimento que ofereça suporte às famílias e garanta os direitos das pessoas com deficiência.

Inclusão, para mim, não é favor. É direito, dignidade e cidadania”, resume.

Zilma afirma ainda que não pretende apresentar a candidatura como alguém que possui todas as respostas para os problemas das famílias. A proposta, segundo ela, é levar a experiência de quem vive essa realidade diariamente para o debate político.

Quero ser uma representante que ouve, fiscaliza, propõe e cobra resultados, afirma.

Apoio às famílias nordestinas em Goiás

Além da defesa das pessoas com deficiência e das famílias atípicas, Zilma também pretende levar para a vida pública a valorização das famílias nordestinas que vivem em Goiás.

Orgulhosa das raízes maranhenses, ela afirma conhecer os desafios de deixar a terra natal para construir uma nova história em outro Estado. Para ela, Goiás deve ser um lugar de acolhimento, respeito e oportunidades, independentemente da origem de cada pessoa.

Quero defender um Goiás onde ninguém seja diminuído pela sua origem, pela sua condição ou pela sua história”, afirma.

A intenção, segundo Zilma, é representar não apenas mães e famílias atípicas, mas também pessoas que historicamente enfrentam dificuldades para serem ouvidas e incluídas.

Uma nova voz para as mães atípicas

Ao falar diretamente com mães e pais de crianças atípicas, Zilma destaca a importância de buscar apoio e não enfrentar as dificuldades em silêncio.

Não desista e não tenha vergonha de pedir ajuda. Você não está sozinho”, afirma.

A experiência pessoal, segundo ela, foi o que mostrou a importância de transformar a luta individual em uma agenda coletiva. Agora, ao decidir disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás, Zilma pretende levar essa vivência para o debate sobre políticas públicas.

Quem sente na pele sabe como lutar, e eu quero levar essa voz para dentro da Assembleia Legislativa de Goiás”, conclui.

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