As joias roubadas do Museu do Louvre, em Paris, estão avaliadas em cerca de US$ 102 milhões, o equivalente a R$ 550 milhões, informou a promotora de Paris à rádio francesa RTL nesta terça-feira (21).
O valor das joias roubadas foi estimado pela curadora do museu, contou Laure Beccuau à RTL.“Essa quantia é de fato espetacular, mas devemos lembrar que esse dano é econômico. Não tem nada de paralelo ou comparável ao dano histórico causado por esse roubo”, disse ela.
A promotora alertou que, se os ladrões tiverem a “péssima ideia” de desmontar as peças para revender as joias ou derreter os metais, “jamais conseguirão obter essas somas tão elevadas”.Beccuau acrescentou que cerca de 100 investigadores estão atualmente trabalhando no caso, enquanto a caçada aos criminosos continua.
O Louvre permaneceu fechado nesta terça-feira, conforme seu cronograma regular de funcionamento, mas deve reabrir na quarta-feira (22). Já a Galeria Apolo, alvo dos ladrões, permanecerá fechada.
O ousado assalto de domingo (19) envolveu quatro ladrões que roubaram oito artefatos da era napoleônica, incluindo uma tiara e um colar usados pela rainha Maria Amélia e pela rainha Hortênsia. O diadema — uma peça de cabeça ornamentada usada por membros da realeza — contém 24 safiras do Ceilão e 1.083 diamantes, segundo o Louvre.
Mas o museu não será indenizado pela perda. Descobriu-se que nenhum dos itens reais estava segurado.
Custo enorme
Quando os ladrões escalaram uma escada mecânica até o segundo andar do Louvre e invadiram a Galeria Apollo, onde as joias reais estavam expostas no domingo, eles, essencialmente, entraram em um prédio do governo que abriga tesouros pertencentes ao Estado francês.
A maioria dos museus franceses possui seguro, mas o Estado atua como seu próprio segurador nos maiores, incluindo o Louvre. Segundo Nicolas Kaddeche, diretor técnico da Hiscox Assurances France — uma das líderes no mercado de seguros para museus —, nenhum seguro privado foi contratado para as joias ou para qualquer parte das coleções permanentes do Louvre.
O motivo? Os prêmios de seguro seriam proibitivamente caros — mais altos até que o custo de investir em vigilância e manter uma equipe de segurança, mesmo para o Louvre, que tem até seu próprio corpo de bombeiros interno.
Como o maior museu do mundo, o Louvre possui um catálogo que inclui, claro, a Mona Lisa, a Vênus de Milo e mais de 35 mil obras de arte em exposição ao longo de 13 quilômetros de corredores — sem contar outras 500 mil peças registradas em seus bancos de dados.
Segurar obras de arte tão valiosas poderia custar bilhões de euros em prêmios de seguro por ano. Mesmo se o Louvre decidisse segurar partes do museu contra, por exemplo, o risco de incêndio, os valores seriam gigantescos.
“O Louvre representa uma acumulação excepcional de ativos em um único endereço, o que o torna muito mais difícil de segurar do que um museu menor”, disse Kaddeche. Ele acrescentou que, economicamente, era mais vantajoso para o governo assumir o risco e atuar como seu próprio segurador — o mesmo aconteceu com a Catedral de Notre-Dame.





