EUA intensificam ataques ao Irã pelo nono dia e tensão em Ormuz aumenta

Sirenes soaram no Barein nesta manhã, informou Ministério do Interior
Foto: Divulgação

Pelo nono dia consecutivo, as forças americanas atacaram o Irã nesta segunda-feira (20), em meio a crescentes preocupações com o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, depois que o Irã informou que dois petroleiros haviam explodido.

A Guarda Revolucionária Islâmica informou nesta segunda-feira que atingiu aeronaves dos EUA no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, com mísseis balísticos, além de instalações e equipamentos militares americanos no campo de Al-Adiri e na Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, bem como alvos na Síria.

Sirenes de alerta soaram na manhã desta segunda-feira no Bahrein, informou o Ministério do Interior do país, enquanto o Exército do Kuwait afirmou estar interceptando drones hostis durante um ataque iraniano.

Os ataques fazem parte de uma escalada no confronto entre os Estados Unidos e o Irã, após um acordo de cessar-fogo provisório, assinado há um mês, ter fracassado. Isso aprofundou a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, prejudicando o fornecimento de energia e alimentando temores de inflação global.

Em comunicado, o Comando Central dos EUA afirmou ter iniciado “uma nova onda de ataques” com o objetivo de “prejudicar” a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais nas rotas marítimas vitais do estreito. O comunicado não forneceu mais detalhes.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, citando seus próprios repórteres, informou que mísseis dos EUA atingiram várias cidades iranianas na madrugada desta segunda-feira.

Explosões foram ouvidas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini, segundo a Tasnim.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos continuariam a atacar o Irã enquanto este atacar a navegação comercial global.

“O Estreito de Ormuz é uma via navegável internacional, e eles continuam a atacar os navios nessa via navegável internacional”, disse Rubio.

“Enquanto o Irã insistir em controlar uma via navegável internacional, teremos que responder a isso. Os Estados Unidos permanecem sempre abertos a uma solução diplomática.”

Petroleiros atingidos

O governo do Kuwait informou que uma usina de dessalinização foi atacada pelo segundo dia consecutivo, causando um incêndio, no que chamou de ataque direto à infraestrutura civil vital.

As preocupações com o fluxo de suprimentos de energia pelo Estreito de Ormuz persistem desde que os Estados Unidos e o Irã retomaram as hostilidades abertas, após acusarem-se mutuamente de violar repetidamente um acordo de cessar-fogo.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou no final do domingo que recebeu um relato de que uma embarcação estava em chamas na costa de Omã, embora não tivesse verificado a causa.

A Guarda Revolucionária informou que dois petroleiros haviam explodido após tentarem transitar pelo que descreveu como uma rota sul insegura através de Ormuz, alegando que as embarcações haviam sido incentivadas pelas Forças Armadas dos EUA a usar a passagem.

A Reuters não conseguiu verificar imediatamente o incidente.

O comunicado não forneceu detalhes sobre os nomes das embarcações, bandeiras, tripulações ou eventuais vítimas.

A Guarda afirmou que a via navegável permaneceria insegura enquanto continuasse o que chamou de “agressão” dos EUA na região, alertando que “essa passagem não será segura para o trânsito de produtos petroquímicos, nem mesmo para uma única gota de petróleo e gás”.

Quatro navios atravessaram o Estreito de Ormuz no domingo, uma queda em relação aos oito do dia anterior. Pelo menos três petroleiros e um superpetroleiro entraram no estreito desde sexta-feira para carregar combustível.

Os preços do petróleo subiam 2%, para mais de US$ 90 o barril, nesta segunda-feira.

Na mais recente baixa norte-americana registrada na guerra, as Forças Armadas dos EUA informaram nesse domingo que um militar foi morto no sábado (18) no Norte do Iraque – onde os EUA mantêm bases militares – durante uma detonação controlada do que o Comando Central chamou de munição não detonada em um drone iraniano abatido.

As Forças Armadas dos EUA informaram anteriormente que dois militares morreram na Jordânia e que um terceiro estava desaparecido em ação. Nesse domingo, o Comando Central informou que “restos mortais não identificados” haviam sido encontrados no local do ataque de sexta-feira e que “um processo de exame para verificar os restos mortais está em andamento”.

Os últimos anúncios de baixas elevaram para 17 o número total de militares norte-americanos mortos desde o início da guerra, com mais de 420 feridos.

O conflito, que começou quando os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, com o objetivo de neutralizar os programas nucleares e de mísseis de Teerã e enfraquecer seus aliados regionais, já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano.

Agencia Brasil

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