Delegada detalha investigação de mulher encontrada acorrentada e relata histórico de denúncias

Segundo ela, a mulher já havia procurado a polícia e relatado episódios de perseguição e possíveis agressões
Foto: Reprodução

Em entrevista exclusiva ao Balanço Geral, a delegada Tamires Teixeira, responsável pela investigação do caso da mulher encontrada acorrentada, detalhou o histórico de denúncias e as circunstâncias que antecederam a descoberta da vítima. Segundo ela, a mulher já havia procurado a polícia e relatado episódios de perseguição e possíveis agressões.

De acordo com a delegada, em março de 2026, a vítima esteve na delegacia para solicitar medidas protetivas contra o suspeito. Na ocasião, ela relatou uma série de situações que considerava relacionadas à perseguição sofrida.

“Ela narra diversas situações de suposta perseguição por conta dele. Eles vinham em um relacionamento muito conturbado”, explicou Tamires Teixeira.

Entre os episódios relatados pela vítima estava um problema no veículo. Segundo a delegada, em determinado dia, o pneu do carro apareceu sem dois parafusos, e a mulher suspeitou que o ex-companheiro pudesse estar envolvido.

Outro episódio chamou a atenção dos investigadores. “O muro da casa dela, em determinado dia, apareceu pichado”, relatou a delegada.

Ainda segundo Tamires, a situação considerada mais grave ocorreu quando a mulher tomou banho e sentiu imediatamente uma forte ardência pelo corpo.

“Ela ligou o chuveiro, foi tomar banho e sentiu imediatamente uma ardência no corpo. Então nós narramos toda essa situação no boletim de ocorrência e encaminhamos para a perícia”, afirmou.

A vítima passou por exame de lesão corporal, que, segundo a delegada, constatou queimaduras pelo corpo. O local também foi periciado.

“A perícia do local do crime chegou a constatar o dano e também foram coletadas amostras da água para mandar para exame toxicológico”, explicou.

O resultado do exame toxicológico ainda não foi concluído. Conforme a delegada, o material foi encaminhado para análise em Goiânia, e o procedimento é demorado.

“Esse exame ainda está pendente, porque nós sabemos que é um exame feito em Goiânia, é demorado. Então nós temos esse inquérito em andamento”, disse Tamires.

Medidas protetivas foram negadas

Apesar dos relatos apresentados pela vítima, as medidas protetivas solicitadas naquele momento não foram concedidas. Segundo a delegada, o Poder Judiciário entendeu que não havia elementos suficientes que comprovassem a ligação do suspeito com as condutas relatadas.

“Em relação às medidas protetivas, na época o Poder Judiciário entendeu que não havia elementos para comprovar essas condutas vinculadas a ele. Então a medida infelizmente foi indeferida”, afirmou.

A delegada também destacou que o casal tinha um relacionamento antigo e marcado por conflitos. Em 2020, a mulher já havia procurado a delegacia e obtido medidas protetivas, que posteriormente foram revogadas.

“Eles têm um relacionamento já há bastante tempo, bastante conturbado, que a gente pode notar, até porque em 2020 ela veio até a delegacia, ela tinha medidas protetivas, que foram posteriormente revogadas”, explicou.

Segundo Tamires, a relação entre os dois era mantida também por vínculos familiares e profissionais, já que eles têm filhos e negócios em comum.

“Eles ficavam sempre nessa indo e vindo e tinham os filhos em comum e negócios em comum. Então eles mantinham esse vínculo profissional também em relação aos filhos”, relatou.

Dependência psicológica e financeira

Durante a entrevista, a delegada também falou sobre a possibilidade de o relacionamento envolver mecanismos de controle e dependência. Segundo ela, a vítima estaria submetida não apenas a uma dependência emocional, mas também financeira.

“Ele fazia em cima dela uma dependência tanto psicológica quanto financeira, porque a gente sabe que um dos principais fatores que faz a mulher não sair de um relacionamento abusivo é a dependência financeira”, afirmou.

Ainda de acordo com Tamires, o suspeito proporcionava à mulher uma condição financeira confortável, o que poderia contribuir para a manutenção do vínculo.

“Ele proporcionava para ela uma vida boa com bens materiais, proporcionava o dinheiro e fazia ela ficar nesse relacionamento”, disse a delegada.

Posteriormente, a mulher foi encontrada acorrentada, em circunstâncias que aumentaram a gravidade do caso e deram novo contexto às denúncias anteriores. A polícia investiga as circunstâncias em que ela foi mantida nessa condição e busca reunir provas para esclarecer o que aconteceu.

O inquérito continua em andamento, com diligências e perícias ainda pendentes. A investigação deverá apontar a dinâmica dos fatos, eventual participação do suspeito e as responsabilidades relacionadas ao caso.

O episódio também chama a atenção para a importância da apuração de denúncias de perseguição e violência contra mulheres, especialmente quando há histórico de conflitos, dependência financeira ou psicológica e vínculos que dificultam o rompimento do relacionamento.

Até o momento, conforme as informações apresentadas pela delegada Tamires Teixeira, as autoridades continuam trabalhando para esclarecer todos os detalhes do caso.

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