A forte alta de Augusto Cury nas pesquisas eleitorais reacendeu o debate sobre o grau de polarização do eleitorado brasileiro. Segundo levantamento Nexus/BTG divulgado nesta segunda-feira (31), o candidato passou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana, ultrapassando Ronaldo Caiado, que aparece com 5%. Na pesquisa Atlas/Bloomberg, Cury registrou 7,8%, em empate técnico com Renan Santos, que teve 7,6%.
O crescimento é ainda mais expressivo entre os eleitores mais jovens. Cury alcança 22% entre pessoas de 16 a 24 anos e 16% na faixa de 25 a 40 anos. O desempenho também é maior entre eleitores com ensino superior e famílias com renda acima de cinco salários mínimos. Entre as mulheres, chega a 13%, contra 9% entre os homens.
Os números indicam um eleitorado mais jovem, escolarizado e de maior renda, mas não permitem afirmar, por si só, as razões que levam esses grupos a apoiar o candidato. A internet, porém, pode ter papel importante na ampliação de sua visibilidade. Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados, Cury passou de 1% para 8%, sinal de que deixou de ser desconhecido para uma parcela maior do eleitorado.
Apesar da alta, seu eleitorado ainda demonstra menor grau de consolidação. Entre os que dizem votar em Cury, 59% afirmam estar decididos, enquanto 39% admitem mudar de candidato. Entre os eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro, 85% consideram o voto definitivo.
A ascensão também não significa necessariamente que Cury esteja consolidado na disputa. O candidato pode perder força à medida que se tornar alvo das campanhas adversárias e deixar de ocupar o espaço de novidade. Ainda assim, sua alta revela que existe uma parcela do eleitorado aberta a alternativas fora da tradicional disputa entre os principais polos políticos.
O fenômeno reforça a tese de que o Brasil pode ser mais polarizado nas redes sociais do que na sociedade. A intensa atuação de grupos políticos nas plataformas digitais cria a impressão de que o eleitorado está dividido de forma rígida entre dois campos, mas pesquisas de identificação ideológica mostram a existência de uma parcela significativa que não se posiciona claramente entre esquerda, direita ou centro.
Nesse contexto, a subida de Cury funciona mais como um sintoma do que como uma garantia de sucesso eleitoral. Ela mostra que há espaço para uma candidatura capaz de se apresentar como alternativa à polarização e conquistar eleitores que ainda não estão presos a escolhas definitivas.
Cury pode cair nas próximas pesquisas, especialmente diante da reação dos adversários. Mas uma eventual queda não apagaria o principal significado de sua ascensão: há um espaço de mudança no eleitorado brasileiro que pode ser menor do que os números atuais sugerem, mas certamente não é inexistente.
Com informações da CNN Brasil





