Na corrida, mulheres encontram força para superar perdas e a depressão

Relatos mostram como a prática esportiva tem fortalecido a autoestima e o bem-estar emocional de mulheres
Histórias de superação mostram como o esporte, especialmente a corrida de rua, tem ajudado a transformar vidas. (FotoDivulgação)

A prática de atividades físicas tem sido uma aliada importante na vida de muitas mulheres que enfrentaram momentos difíceis. Histórias de superação mostram como o esporte, especialmente a corrida de rua, tem ajudado a transformar vidas, fortalecer a autoestima e melhorar a saúde mental.

A Empresaria Cleonice Lima, que é corredora do grupo Ritmo Delas, conta que encontrou no esporte um caminho para superar um período de profunda dor.

“Esse esporte representa tudo na minha vida. Um dos motivos que me levou a começar foi porque perdi uma filha e entrei em depressão. Uma terapeuta me orientou a fazer caminhadas e começar a correr. Desde então já se passaram sete anos e eu nunca mais parei. A iniciativa de promover um circuito para mulheres é maravilhosa, porque fortalece a autoestima e melhora muito o nosso psicológico”, relatou.

Grupo Ritmo Delas (Foto: divulgação)

A lider do grupo de corrida “Ritmo Delas” Maria Dias também compartilhou como a corrida surgiu em um momento delicado de sua vida. Ela explica que, há cerca de quatro anos, enfrentou diversas perdas familiares em um curto espaço de tempo.

“Perdi minha mãe, perdi meu pai, perdi um filho e tive uma gravidez ectópica. Tudo isso aconteceu em períodos muito curtos. Então veio uma depressão muito forte. Comecei a me exercitar por indicação médica e foi dentro do crossfit que conheci a corrida de rua”, contou.

Com o tempo, a prática esportiva se tornou parte fundamental da rotina. Ao participar de provas e compartilhar sua experiência nas redes sociais, ela acabou incentivando outras mulheres a também começarem a correr.

“Através das minhas postagens muitas mulheres começaram a se interessar. Uma amiga me chamou para correr e, naquela corrida, conversamos muito sobre a vida. Depois disso outras mulheres também vieram, e assim o grupo foi crescendo.”

Hoje, o grupo reúne diversas participantes e tem como objetivo incentivar mais mulheres a praticarem atividade física e cuidarem da saúde física e emocional.

“O intuito do grupo é ver mulheres se movimentando, se exercitando. Muitas passam por momentos de baixa autoestima ou depressão. Quando treinamos juntas e conversamos, muitas dizem que estão se sentindo mais leves. Isso me realiza muito.”

Além dos benefícios físicos, as corredoras destacam que o esporte se tornou também um espaço de acolhimento e apoio entre mulheres, mostrando que a atividade física pode ser uma ferramenta poderosa para enfrentar desafios e promover qualidade de vida.

Da Depressão ao Asfalto: Como a Corrida Transformou Vidas

​Para muitos, correr é um esforço mecânico; para Elisvânia, foi um ato de resgate. Houve um tempo em que o silêncio da insegurança e o peso da baixa autoestima tentavam ditar o ritmo de seus dias. Foi no asfalto que ela encontrou a resposta. Cada quilômetro percorrido não era apenas distância deixada para trás, mas um reencontro com sua própria essência. Hoje, Elisvânia não corre apenas por saúde; ela corre pela mulher que se tornou: resiliente, confiante e capaz de inspirar outras a abandonarem a inércia. Afinal, a transformação mais profunda começa com a coragem de dar o primeiro passo.

Grupo Elisvânia (Foto: Divulgação)

O Início Inusitado
​A trajetória de Elisvânia com o esporte começou dentro de casa, de forma simples.

“Comecei através das aulas de ritmos que eu fazia em casa. As aulas me motivavam tanto que eu já começava a correr dentro da própria sala”, relembra.

Na época, com quase 100 kg, ela percebeu que precisava de mais. O que começou com trotes curtos de uma esquina a outra na rua de casa acabou transformando sua história.
​Mais que Estética, uma Terapia.

A mudança física foi visível, mas os benefícios internos foram os que realmente consolidaram sua paixão. Para ela, a corrida se tornou um momento de autocuidado e equilíbrio emocional.

“A corrida virou meu momento de cuidar de mim, de aliviar o cansaço do dia a dia e lembrar que sou mais forte do que imagino. É uma terapia”, afirma.


Liderança e Propósito
​Hoje, Elisvânia atua como líder de corrida, mas seu papel vai muito além de ditar o ritmo dos passos. Ela utiliza sua própria vivência como base para motivar o grupo, mostrando que existem dias difíceis, mas que a constância é a chave.

Grupo Elisvânia

Sua equipe carrega seu próprio nome, Grupo Elisvânia,uma escolha simbólica que reflete sua missão de vida: incentivar mulheres, homens e jovens a acreditarem em recomeços.

“Minha história se tornou um propósito de ajudar”, explica a líder, que vê no esporte o caminho para a recuperação da autoestima.

Dicas para quem quer começar

​Para quem sente o desejo de iniciar, mas se sente intimidado pela dificuldade inicial, Elisvânia é direta: Não foque em performance:

Esqueça o pace ou o tempo no início.
​Use o que você tem: Comece com o tênis e as roupas que já estão no seu armário.
​Entenda o processo: A corrida é uma construção e o amor pelo esporte vem com a rotina, não necessariamente no primeiro dia.

​”Correr foi, literalmente, o que me salvou naquele momento. Hoje, levo essa experiência para outras pessoas para que elas entendam que também podem recomeçar.”

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