O colesterol alto é uma condição que afeta cerca de 4 em cada 10 brasileiros adultos, segundo dados do Ministério da Saúde, e está diretamente associado a doenças cardiovasculares como infarto, AVC e obstruções arteriais principais causas de morte e incapacidade no país. No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, o alerta é para a prevenção e o diagnóstico precoce, já que o problema não causa sintomas e pode afetar mesmo pessoas magras e fisicamente ativas.
“O colesterol é uma molécula de gordura necessária para a construção celular e a produção de hormônios e vitaminas. Mas, em excesso, especialmente o LDL, conhecido como ‘colesterol ruim’, pode se acumular nas artérias e causar sérias complicações. Já o HDL, o chamado ‘colesterol bom’, tem efeito protetor, auxiliando na saúde dos vasos sanguíneos”, explica a cardiologista e diretora médica do Hospital Encore, Débora Rodrigues.
O colesterol elevado pode ter origem tanto na alimentação rica em gorduras de origem animal quanto em fatores genéticos. “Algumas pessoas podem ter colesterol alto mesmo com dieta balanceada e prática regular de atividade física. Isso acontece por conta de alterações hereditárias no metabolismo do fígado”, esclarece a médica. A prevenção passa por hábitos de vida saudáveis, com alimentos como azeite de oliva, peixes como salmão, castanhas, frutas e vegetais, além de exercícios físicos regulares.
“O estresse emocional também pode impactar negativamente os níveis de colesterol, pois ele desregula o metabolismo, aumentando os níveis de colesterol mesmo sem mudanças na alimentação”, observa Rodrigues.
Segundo a cardiologista, o rastreamento deve começar aos 10 anos de idade, especialmente em crianças com obesidade ou histórico familiar. Na adolescência, os níveis também devem ser monitorados, já que o número de jovens com colesterol alterado tem aumentado. “A frequência dos exames depende do histórico individual. Se o colesterol estiver muito elevado ou se a pessoa tiver outras doenças, os exames devem ser mais frequentes. Em geral, quem tem níveis normais e sem outros fatores de risco pode fazer o controle anualmente”, orienta a especialista.
Em alguns casos, o uso de medicamentos é necessário — e pode ser mantido por toda a vida. “De forma geral, níveis de LDL acima de 160 mg/dL indicam a necessidade de tratamento medicamentoso, principalmente em quem já teve infarto, AVC ou tem risco aumentado. Nesses casos, quanto mais baixo o LDL, melhor”, reforça Débora. A especialista destaca que o diagnóstico e controle precoce do colesterol “salvam vidas”, reduzindo significativamente o risco de eventos agudos como infarto e AVC.
“Este dia serve para lembrar que estamos diante de uma condição silenciosa, comum, prevenível e com alto impacto na saúde pública. A conscientização é o primeiro passo para mudar esse cenário”, finaliza a cardiologista e diretora médica do Hospital Encore, Débora Rodrigues.




