Câncer de pulmão: tabagismo é uma das principais causas, mas 85% dos casos são diagnosticados tardiamente

Agosto Branco alerta para sintomas confundidos com doenças respiratórias comuns
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Uma tosse que não passa, uma falta de ar que vai piorando ou uma rouquidão sem explicação. Esses sintomas raramente levantam suspeita de câncer de pulmão, e é justamente por isso que a doença costuma ser descoberta tarde demais. Em alusão ao Agosto Branco, mês de conscientização sobre o câncer de pulmão, a pneumologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Heloisa Costa, chama atenção para os sinais que chegam antes do diagnóstico e que, na maioria das vezes, são confundidos com gripe, alergia ou bronquite.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), apenas cerca de 15% dos casos no Brasil são diagnosticados em estágio inicial. Dados do Observatório de Oncologia indicam que entre 85% e 93% dos pacientes chegam aos serviços especializados já em fases mais graves, reduzindo as possibilidades de tratamento curativo. O estágio do diagnóstico determina o prognóstico: quando detectado precocemente, o câncer de pulmão tem taxa de sobrevida em cinco anos de 56%, número que cai para 18% na média geral do país, segundo a mesma instituição.

É justamente essa demora no diagnóstico que torna o reconhecimento dos sintomas um dos principais aliados da prevenção secundária. Segundo a pneumologista Dra. Heloisa Costa, alguns sinais merecem investigação médica mesmo quando parecem indicar problemas respiratórios comuns. “Quando aparecem sintomas, muitas vezes eles são confundidos com problemas respiratórios comuns. O mais importante é observar quando um sintoma não melhora ou se torna persistente, uma tosse que dura mais de três semanas, falta de ar que vai piorando, dor no peito, rouquidão, catarro com sangue ou cansaço excessivo sem causa aparente”, orienta a pneumologista.

O cigarro continua sendo o principal fator de risco, mas não é o único. A médica ressalta que a doença também atinge quem nunca fumou. “Cerca de 10% a 20% dos casos acontecem em pessoas que nunca fumaram. Nesses pacientes, a doença pode estar relacionada ao tabagismo passivo, à poluição do ar, ao gás radônio, ao contato com amianto e sílica no ambiente de trabalho e até a alterações genéticas. Por isso, ninguém está totalmente livre do risco”, sublinha.

35 mil casos novos por ano
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, a cada ano do triênio 2026-2028, serão diagnosticados no Brasil cerca de 35,3 mil novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquios. A doença é a principal causa de morte por câncer no país, segundo o INCA.

Para grupos de maior risco, o rastreamento pode ser decisivo. A pneumologista explica quem deve buscar o exame. “O rastreamento é indicado principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos que fumam atualmente ou pararam de fumar a qualquer. O exame utilizado é a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, que consegue identificar tumores muito pequenos, antes mesmo de surgirem sintomas”, pontua.

O diagnóstico precoce também depende da disposição do paciente em não normalizar sintomas persistentes. Para a pneumologista, adiar a consulta pode custar o momento em que o tratamento ainda é curativo. “O câncer de pulmão tem muito mais chance de cura quando é descoberto cedo. Não ignore uma tosse persistente, falta de ar ou qualquer sintoma que não melhora. E, se você fuma ou já fumou por muitos anos, converse com seu pneumologista sobre a possibilidade de fazer o rastreamento. Cuidar da saúde hoje pode fazer toda a diferença no futuro”, acrescenta Dra. Heloisa Costa.

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