A cidade de Goiânia terá um Museu e Memorial do Césio-13. O projeto, de autoria do vereador Lucas Kitão (Mobiliza), foi aprovado por unanimidade no plenário da Câmara Municipal na primeira sessão do semestre legislativo, nesta terça-feira (11).
A sua aprovação também foi considerada simbólica pelo parlamento municipal. O plenário aprovou o projeto do vereador um dia após um incêndio atingir o Parque Estadual Telma Ortegal (Peto), onde fica o depósito do Césio-137, em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. O local onde o material está armazenado não foi atingido.
Conforme a lei aprovada, a capital vai criar um espaço a ser definido pelo Paço Municipal, para preservar a memória e reconhecer a história do maior acidente radiológico da história fora de uma usina nuclear. O acidente aconteceu em 13 setembro de 1987 e está prestes a completar 39 anos.
O projeto foi considerado de extrema importância pelos parlamentares, para a preservação da história e conscientização da população goianiense e trazer ainda mais valor simbólico ao maior acidente radiológico da história, fora de uma usina nuclear.
O vice-presidente da Câmara, Anselmo Pereira (MDB), e os vereadores Coronel Urzêda (PL) e Juarez Lopes (PDT) parabenizaram o parlamentar pelo projeto. Anselmo citou o incêndio no Parque e acrescentou que é um problema muito sério, que precisa ser combatido. “Precisamos tomar cuidado. Olha a coincidência. O parque Telma Ortegal pegando fogo e nós aprovando o projeto de lei para criar um espaço para a memória do Césio-137 em Goiânia”, disse o emedebista.
História do Césio-137
O acidente radiológico aconteceu após o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia. O evento com o Césio-137 atingiu direta e indiretamente mais de mil pessoas e quatro vítimas faleceram após o contato direto com uma cápsula de 19 gramas da substância em um ferro-velho, que funcionava na região central da capital.
De acordo com o autor da matéria, a proposta reconhece o trabalho dos profissionais e dá motivo justo e histórico para que sejam feitas homenagens às vítimas, além de valorizar a história da Capital.
Kitão explica ainda que o projeto foi incluído na pauta no retorno do semestre legislativo, pela Mesa Diretora, após deliberação feita pelos membros.
Preservação histórica
O autor lembra ainda que seu projeto antecede o sucesso da série “Emergência Radioativa”, da Netflix, que abordou o episódio radiológico, mas teve praticamente todas as gravações realizadas no estado de São Paulo, não dando o reconhecimento à capital goiana.
Segundo o vereador, o Museu e Memorial é justamente para dar esse reconhecimento ao evento histórico, com uma área, um local de exposição e espaço de homenagem e preservação histórica deste evento.
“A cidade de Goiânia tem em sua linha do tempo o maior acidente radiológico do mundo. Está em nossa história e deixou um legado de dor, estigmatização e desinformação, mas também revelou a solidariedade de profissionais de saúde, bombeiros, militares e cidadãos que atuaram heroicamente no socorro às vítimas”, justificou o autor da matéria.
Centro Regional
Hoje, a capital goianiense conta apenas com locais ligados ao acidente que foram concretados. O único espaço reservado para a memória está em Abadia de Goiás. No local, mais de 6 mil toneladas de rejeitos contaminados foram recolhidos e estão enterrados em duas caixas de concreto, em uma área de 32 alqueires, dentro do Parque Estadual Telma Ortegal, às margens da BR-060.
Na Unidade de Conservação, atingida pelo incêndio, foi construído o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), que é vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Sua função é monitorar os rejeitos do Césio e promover pesquisas na área ambiental ligadas à radioatividade.
Caso seja aprovado em definitivo, sancionado e implementado pela Gestão, o espaço deverá contar com área de convivência e terá como objetivo homenagear as vítimas, preservar a memória histórica e seu impacto social, além de servir como um espaço cultural e educativo para escolas, universidades e visitantes.
“Nossa ideia é ter um local em Goiânia, assim como existe em Nova York, nos Estados Unidos, no Museu e Memorial do World Trade Center. O local preserva a história e a memória das vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001. É importante termos esse mesmo espaço aqui, na Capital, e preservamos ainda mais o Centro de Ciências Nucleares”, emendou.
Após a aprovação em segunda e última votação, o projeto vai para a análise do Poder Executivo.





