O calor intenso e a baixa umidade, característicos dos períodos mais secos em Goiás, alteram a rotina das famílias e exigem atenção especial à hidratação das crianças. Para aquelas que convivem com doenças cardíacas e fazem tratamento contínuo, os cuidados ganham ainda mais importância, já que a perda de líquidos pode exigir atenção específica de acordo com a condição clínica de cada paciente.
Para essas crianças, a perda de líquidos pode exigir atenção especial porque algumas condições cardíacas e determinados tratamentos tornam importante o acompanhamento do equilíbrio de líquidos e eletrólitos do organismo. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças com insuficiência cardíaca podem utilizar medicamentos como diuréticos, vasodilatadores e betabloqueadores. Alterações nos níveis de eletrólitos podem favorecer arritmias e comprometer a função cardíaca.
A cardiopediatra Mirna de Sousa, membro da Sociedade Goiana de Pediatria, explica que cada criança deve ter os cuidados definidos de acordo com sua condição clínica e o tratamento realizado. Segundo ela, a presença de uma cardiopatia não significa que a criança precise ser afastada de atividades ou ter sua rotina restringida sem indicação médica.
“Uma criança com cardiopatia não deve ser privada de atividades e de uma rotina normal sem necessidade. O mais importante é respeitar as orientações do especialista e observar qualquer mudança no comportamento ou na disposição da criança”, afirma.
Sinais de alerta
Falta de ar, cansaço excessivo, desmaio, tontura e palpitações devem ser observados pelos responsáveis, principalmente quando são diferentes do habitual.
“Se a criança começa a apresentar sintomas diferentes do habitual, especialmente falta de ar, cansaço excessivo, desmaio ou palpitações, os pais não devem atribuir automaticamente ao calor. Dependendo da intensidade dos sintomas, é importante procurar atendimento médico”, orienta Mirna.
Outro ponto importante é o uso dos medicamentos. Tratamentos contínuos não devem ser interrompidos, ter a dose alterada ou o horário modificado por decisão dos responsáveis.
“Os pais não devem suspender ou modificar nenhum medicamento porque está muito quente. Cada criança tem uma condição clínica diferente, e qualquer ajuste deve ser feito pelo médico que acompanha o paciente”, ressalta a cardiopediatra.
Cuidados nos dias quentes
A recomendação é evitar exposição direta ao sol nos horários de maior calor, manter a criança em ambientes ventilados e oferecer líquidos conforme a orientação médica e as necessidades de cada paciente. Durante brincadeiras e atividades físicas, os responsáveis devem observar sinais de mal-estar e interromper a atividade caso eles apareçam.
“Mais importante do que impedir a criança de brincar é conhecer os limites indicados para cada caso. Com acompanhamento adequado e atenção aos sinais do organismo, é possível manter uma rotina ativa e segura mesmo nos períodos de temperaturas mais altas”, conclui Mirna de Sousa.





