Sete dias após a morte de Lito Sousa, a viúva dele, Mila Seidl, compartilhou um relato sobre o processo de luto e a dificuldade de continuar a rotina diante da ausência do marido. Em um desabafo, ela contou que tem conseguido trabalhar e cumprir compromissos, mas que os pensamentos sobre Lito permanecem presentes durante todo o dia.
Segundo Mila, o luto, em alguns casos, começa antes da morte, à medida que a pessoa passa a perder aspectos da convivência com quem ama. Ela afirmou que ainda não encontrou resposta para uma pergunta que fazia a si mesma antes da partida do marido: o que seria mais doloroso, perder Lito ainda em vida ou depois de sua morte.
“E agora que eu vivi as duas coisas, eu sigo não tendo essa resposta”, afirmou.
“Metade de você fica lá com ela”
Mila relatou que, apesar de a vida precisar continuar por causa das responsabilidades cotidianas, a perda provoca uma mudança permanente.
“Mas no dia que a pessoa parte, metade de você segue vivendo a vida normal e a outra metade de você fica lá com ela pra sempre. Pra sempre.”
Ela contou que esteve em um evento recentemente, mas não conseguiu se desligar da perda. Segundo a viúva, mesmo durante atividades comuns, como acordar, tomar banho e trabalhar, sua mente permanece voltada para Lito.
“Como que é sobreviver sem metade de si?”, questionou.
Para Mila, é possível continuar vivendo depois de uma perda, mas a existência nunca volta a ser como antes.
“Você sobrevive sem metade de si. (…) Você sobrevive. Mas nunca vai ser igual.”
“Aquela Mila de antes não existe mais”
A viúva também lembrou que, antes da morte de Lito, chegou a dizer que não conseguiria suportar a perda do marido. Agora, diante da realidade do luto, reconhece que conseguiu continuar, mas entende que passou por uma transformação profunda.
“Eu tava enganada, eu resisto. Mas aquela Mila de esse tempo não existe mais. Ela realmente foi.”
Ela afirmou ainda que as experiências vividas ao lado de Lito, tanto as boas quanto as difíceis, contribuíram para transformá-la.
“Então não esperem também família, amigos, seguidores que eu seja a mesma pessoa, porque isso é impossível. Impossível. Nunca mais eu serei. Não sei se melhor, não sei se pior, mas a mesma pessoa é impossível.”
Questionamentos e busca por respostas
Durante o relato, Mila também falou sobre sua relação com Deus e sobre as perguntas que surgiram após a morte do marido. Ela afirmou que rezou e pediu pela recuperação de Lito, mas que não teve a resposta que esperava.
“Eu me alinheii muito e rezei muito. Não fui atendida.”
A viúva contou que algumas pessoas interpretam a morte como o cumprimento de uma missão, mas disse que ainda convive com questionamentos e tenta compreender o que aconteceu.
“Alguns dizem que é porque ele completou a missão dele, pode ter sido. Mas ao mesmo tempo assim fica nossa questionamento, né? E essa busca por respostas.”
Mila também afirmou que acontecimentos recentes podem representar sinais ou respostas, embora reconheça que talvez seja apenas uma forma de tentar encontrar algum significado para o momento que está vivendo.
O desejo de ter tido mais tempo
Entre as principais dores relatadas por Mila está a sensação de que faltou tempo ao lado do marido.
“O que eu queria era, assim como ele falou, eu queria só mais um pouquinho de tempo com meu filho. Eu queria só mais um pouquinho de tempo com ele.”
A partir da experiência da perda, ela fez uma reflexão sobre a maneira como as pessoas encaram a própria vida e o tempo que têm ao lado de familiares e amigos.
Segundo Mila, a morte mostra que a sensação de que haverá sempre um “depois” pode ser enganosa. Por isso, defendeu que as pessoas valorizem mais os momentos compartilhados enquanto ainda há tempo.
“Aproveita esse pouquinho de tempo que você tem hoje”
Mila contou que guarda um pequeno pedaço de cabelo de Lito como uma lembrança de grande valor afetivo. Para ela, objetos que antes pareciam importantes perderam significado diante da ausência do marido.
“Hoje, pra mim, a vida do meu filho, eu tenho um pedacinho de cabelo dele. Esse pedacinho de cabelo, pra mim, é um tesouro imenso, que eu vou guardar pra sempre. Todo o resto, roupa, isso realmente não faz sentido. Não importa, só um pedacinho de cabelo.”
Ao final do desabafo, Mila disse que não gostaria que outras pessoas precisassem passar pela mesma experiência para compreender a importância de valorizar quem está por perto.
“Tudo que eu mais queria era um pouquinho mais de tempo. Aproveita esse pouquinho de tempo que você tem hoje. Aproveita, só esteja do lado, abraça, beija, só fica perto. Do seu jeito, aquela pessoa que você tanto importa.”





