STF analisa nesta terça-feira supostas conversas entre Moraes e Vorcaro

Plenário do Supremo avalia se ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado após PF identificar cerca de 50 mensagens entre número atribuído a ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro
Reprodução\ BBC News Brasil

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar, nesta terça-feira (15), a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes em razão de supostas conversas mantidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão está prevista para começar às 10h e terá transmissão pela TV Justiça e pelos canais oficiais da Corte na internet.

O caso chegou ao plenário após o ministro André Mendonça, que anteriormente era responsável pela relatoria, encaminhar ao novo relator, Edson Fachin, informações obtidas pela Polícia Federal durante a apuração envolvendo o Banco Master.

Segundo a investigação, Vorcaro manteve contato com um número de telefone atribuído a Moraes. As mensagens foram identificadas depois que a PF teve acesso ao conteúdo do celular do ex-banqueiro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

Como será o julgamento

A sessão terá início com os procedimentos habituais do plenário. Depois da leitura da ata anterior e das saudações iniciais, Fachin apresentará o relatório do processo.

Na sequência, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a oportunidade de se manifestar. Somente depois disso os ministros deverão iniciar a votação.

Ainda não foi informado se Alexandre de Moraes participará da sessão. Também não está definida a presença do ministro Dias Toffoli.

Toffoli declarou-se impedido de atuar em processos relacionados ao caso Master após a divulgação de informações sobre a propriedade de um resort adquirido por um fundo de investimentos ligado ao banco.

O julgamento também poderá ser interrompido caso algum ministro apresente uma questão de ordem ou solicite vista do processo.

O que está sob análise

A existência das supostas conversas tornou-se pública em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo dos autos e encaminhou o material a Fachin.

A Constituição e o Regimento Interno do STF estabelecem que cabe ao próprio plenário analisar processos envolvendo integrantes da Corte.

De acordo com a apuração, Vorcaro teria enviado aproximadamente 50 mensagens para um número atribuído a Moraes antes de sua prisão, em 17 de novembro do ano passado.

Embora Moraes não seja o relator do caso Master no Supremo, as investigações apontaram que ele passou a manter contato com Vorcaro depois que o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestou serviços ao banco.

Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que naquele momento tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Ele mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, afirmou o ex-banqueiro.

A menção aos dois integrantes das instituições, porém, não é acompanhada de indícios de que eles tenham atuado para interferir na investigação.

No dia seguinte, Vorcaro citou o juiz Ricardo Leite, que naquele período conduzia as apurações na Justiça Federal, e perguntou sobre a possibilidade de ser preso.

“Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”, questionou.

Em 17 de novembro, o ex-banqueiro acabou preso por determinação de Leite. Posteriormente, as investigações foram remetidas ao Supremo.

Posicionamento de Moraes

Alexandre de Moraes não apresentou, até o momento, manifestação específica sobre o conteúdo das mensagens divulgadas.

Depois que o material foi encaminhado a Fachin, Moraes incluiu André Mendonça no inquérito das fake news e afirmou que o ministro teria direcionado a apuração por razões políticas. A decisão acabou sendo posteriormente revertida por Fachin.

Posição da PGR

Paulo Gonet, que também aparece citado nas mensagens, defendeu a invalidação do relatório produzido pela Polícia Federal que identificou os contatos entre Vorcaro e o número atribuído a Moraes.

Para o procurador-geral, Mendonça teria ultrapassado os limites legais ao aprofundar a investigação do caso Master com o objetivo de examinar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.

Na avaliação de Gonet, uma medida dessa natureza dependeria de autorização prévia do plenário do Supremo.

Com informações da Agencia Brasil

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