O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar, nesta terça-feira (15), a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes em razão de supostas conversas mantidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão está prevista para começar às 10h e terá transmissão pela TV Justiça e pelos canais oficiais da Corte na internet.
O caso chegou ao plenário após o ministro André Mendonça, que anteriormente era responsável pela relatoria, encaminhar ao novo relator, Edson Fachin, informações obtidas pela Polícia Federal durante a apuração envolvendo o Banco Master.
Segundo a investigação, Vorcaro manteve contato com um número de telefone atribuído a Moraes. As mensagens foram identificadas depois que a PF teve acesso ao conteúdo do celular do ex-banqueiro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
Como será o julgamento
A sessão terá início com os procedimentos habituais do plenário. Depois da leitura da ata anterior e das saudações iniciais, Fachin apresentará o relatório do processo.
Na sequência, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a oportunidade de se manifestar. Somente depois disso os ministros deverão iniciar a votação.
Ainda não foi informado se Alexandre de Moraes participará da sessão. Também não está definida a presença do ministro Dias Toffoli.
Toffoli declarou-se impedido de atuar em processos relacionados ao caso Master após a divulgação de informações sobre a propriedade de um resort adquirido por um fundo de investimentos ligado ao banco.
O julgamento também poderá ser interrompido caso algum ministro apresente uma questão de ordem ou solicite vista do processo.
O que está sob análise
A existência das supostas conversas tornou-se pública em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo dos autos e encaminhou o material a Fachin.
A Constituição e o Regimento Interno do STF estabelecem que cabe ao próprio plenário analisar processos envolvendo integrantes da Corte.
De acordo com a apuração, Vorcaro teria enviado aproximadamente 50 mensagens para um número atribuído a Moraes antes de sua prisão, em 17 de novembro do ano passado.
Embora Moraes não seja o relator do caso Master no Supremo, as investigações apontaram que ele passou a manter contato com Vorcaro depois que o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestou serviços ao banco.
Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que naquele momento tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Ele mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, afirmou o ex-banqueiro.
A menção aos dois integrantes das instituições, porém, não é acompanhada de indícios de que eles tenham atuado para interferir na investigação.
No dia seguinte, Vorcaro citou o juiz Ricardo Leite, que naquele período conduzia as apurações na Justiça Federal, e perguntou sobre a possibilidade de ser preso.
“Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”, questionou.
Em 17 de novembro, o ex-banqueiro acabou preso por determinação de Leite. Posteriormente, as investigações foram remetidas ao Supremo.
Posicionamento de Moraes
Alexandre de Moraes não apresentou, até o momento, manifestação específica sobre o conteúdo das mensagens divulgadas.
Depois que o material foi encaminhado a Fachin, Moraes incluiu André Mendonça no inquérito das fake news e afirmou que o ministro teria direcionado a apuração por razões políticas. A decisão acabou sendo posteriormente revertida por Fachin.
Posição da PGR
Paulo Gonet, que também aparece citado nas mensagens, defendeu a invalidação do relatório produzido pela Polícia Federal que identificou os contatos entre Vorcaro e o número atribuído a Moraes.
Para o procurador-geral, Mendonça teria ultrapassado os limites legais ao aprofundar a investigação do caso Master com o objetivo de examinar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.
Na avaliação de Gonet, uma medida dessa natureza dependeria de autorização prévia do plenário do Supremo.
Com informações da Agencia Brasil





