Caiado diz que nunca viu policial com câmera em “campo de guerra” e questiona uso do equipamento

A declaração ocorreu durante questionamentos sobre o uso dos equipamentos em operações de segurança pública e sobre a atuação policial em áreas dominadas por organizações criminosas
Foto: Reprodução

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que nunca viu policiais utilizando câmeras corporais em situações que classificou como “campo de guerra”. A declaração ocorreu durante questionamentos sobre o uso dos equipamentos em operações de segurança pública e sobre a atuação policial em áreas dominadas por organizações criminosas.

Nunca vi, num campo de guerra, policial ter câmera. A menos que seja modernidade agora”, afirmou Caiado.

Ao justificar sua posição, o candidato comparou determinadas operações policiais a cenários de guerra. Segundo ele, os agentes podem enfrentar criminosos fortemente armados, com armamentos de calibres superiores e estruturas capazes de utilizar drones para o lançamento de granadas.

Ali é campo de guerra, você não está ali fazendo uma ação policial”, disse Caiado ao comentar operações realizadas em áreas dominadas pelo crime organizado.

A declaração foi dada após o candidato ser questionado sobre a utilização de câmeras corporais em operações como a realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, que terminou com mais de 120 mortos.

Câmeras corporais

Caiado reiterou ser contrário à obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos policiais. Na avaliação do candidato, o controle da atuação dos agentes deve ser feito pelas corregedorias das próprias forças de segurança.

Durante a entrevista, ele citou a Polícia Militar de Goiás e afirmou que a atuação da corregedoria contribui para manter os policiais dentro dos critérios de defesa do cidadão. Caiado também mencionou índices de aprovação da polícia goiana para sustentar sua avaliação sobre o modelo adotado no estado.

Apesar das críticas ao uso obrigatório das câmeras, o candidato afirmou que, caso seja eleito presidente, não pretende retirar os recursos federais destinados aos estados que optarem pela instalação dos equipamentos.

Segundo Caiado, a decisão sobre a utilização das câmeras deve permanecer como prerrogativa dos governadores. “Eu, como presidente da República, eu não vou interferir nesse assunto. Isso é um assunto da sala do governador”, afirmou.

Modelo de policiamento

Na entrevista, Caiado também defendeu uma mudança no modelo de policiamento brasileiro. Ele citou a experiência de Londres, na Inglaterra, como referência e afirmou que gostaria de chegar a um cenário em que os policiais pudessem trabalhar com equipamentos menos letais.

Eu quero ter no Brasil um policial que tenha um cacetete e um apito, igual na Inglaterra, não precisa de arma”, declarou.

A discussão sobre câmeras corporais ganhou espaço no debate nacional por serem apontadas como instrumentos de transparência e de produção de provas sobre abordagens e operações policiais. A tecnologia também é defendida como mecanismo de proteção tanto para a população quanto para os próprios agentes de segurança.

Obs.: As declarações foram retiradas de entrevista concedida pelo candidato à CNN Brasil.

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