O mês de agosto marca o início do período mais seco do ano em Goiás e, com ele, aumentam as queixas de nariz congestionado e dificuldade para respirar. A baixa umidade pode ressecar e irritar a mucosa nasal, mas quem convive com obstrução por semanas ou meses não deve atribuir o problema apenas à rinite. Alterações como desvio de septo, hipertrofia dos cornetos nasais e sinusite crônica também podem dificultar a passagem do ar e exigem avaliação especializada.
Segundo o Cimehgo (Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás), não há expectativa de chuva para os próximos dias, e a umidade relativa do ar pode variar entre 18% e 20%, podendo ficar ainda mais baixa em algumas regiões. O cenário é típico do período de estiagem e favorece o ressecamento das vias respiratórias.
O gerente do Cimehgo, André Amorim, explica que a combinação entre temperaturas mais elevadas durante a tarde e a ausência de chuvas contribui para a queda da umidade. “No período da tarde, as temperaturas sobem e a umidade relativa do ar despenca. Por isso, é importante que a população fique atenta, mantenha uma boa hidratação e evite a exposição ao sol, principalmente durante a tarde”, orienta.
Além dos efeitos do clima, a persistência da obstrução nasal pode indicar outro problema, conforme explica o otorrinolaringologista Gustavo Jorge. “É comum que o paciente associe o nariz entupido somente à rinite e passe meses convivendo com dificuldade para respirar. Quando a obstrução é frequente, principalmente se ocorre sempre do mesmo lado ou permanece mesmo fora das crises alérgicas, é importante investigar a causa”, afirma.
Da investigação ao tratamento
Respirar pela boca, roncar, apresentar dificuldade para dormir, alterações no olfato, sangramentos recorrentes ou sentir que o nariz permanece constantemente obstruído são sinais que merecem atenção. A avaliação com o otorrinolaringologista permite identificar se a causa é alérgica, inflamatória ou estrutural.
“Um desvio de septo ou o aumento dos cornetos pode comprometer a passagem do ar mesmo quando a pessoa não está em uma crise de rinite. Nesses casos, tratar apenas os sintomas pode não resolver a dificuldade respiratória”, explica Gustavo.
Quando a obstrução está relacionada a alterações estruturais, a cirurgia pode ser indicada em alguns casos. A rinoplastia funcional, por exemplo, busca melhorar a função respiratória e pode ser associada à correção do septo e de outras estruturas nasais, conforme a necessidade de cada paciente.
“A rinoplastia pode ter uma finalidade funcional, além da estética. O mais importante é identificar o que está dificultando a respiração e avaliar individualmente qual tratamento oferece o melhor resultado”, destaca o especialista.
Durante o período seco, manter uma boa hidratação, evitar exposição à poeira e fumaça e utilizar solução fisiológica para hidratar as narinas podem ajudar a reduzir o desconforto. Já o uso de medicamentos e descongestionantes deve ser orientado por um profissional.





