O pedido para que um apartamento localizado no Setor Bueno fosse desocupado é apontado pela Polícia Civil como a principal motivação do ataque que resultou na morte do jornalista Delson Carlos, na última sexta-feira (24), em Goiânia.
De acordo com o delegado Vinícius Teles, da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), a suspeita, Renata Oliveira, é proprietária do imóvel onde a vítima morava sem pagar aluguel e queria reaver o apartamento. Segundo a investigação, o assunto voltou a ser discutido durante uma confraternização em que os envolvidos consumiam bebidas alcoólicas.
“A suposta autora desejava a restituição do imóvel, que havia emprestado à vítima. Houve um desentendimento sobre esse tema e, conforme os relatos, após o consumo de bebida alcoólica, ela teria atingido o jornalista com uma facada”, afirmou o delegado em entrevista à TV Anhanguera.
A principal testemunha do caso, namorada da investigada, relatou à polícia que tentou impedir a agressão. Conforme o depoimento, ela segurou o braço de Renata após o primeiro golpe, mas acabou ferida no ombro e no antebraço durante a tentativa de conter o ataque. Em seguida, ela e a vítima correram para fora do apartamento.
Após o crime, a suspeita permaneceu trancada no imóvel e se recusou a se entregar. A negociação com equipes da Polícia Militar durou mais de três horas. Para acessar o apartamento e realizar a prisão em flagrante, os policiais utilizaram um artefato explosivo para romper a porta.
No sábado (25), durante audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. A decisão considerou a necessidade de preservar a ordem pública e garantir a segurança da principal testemunha.
A Polícia Civil informou que pretende concluir o inquérito em até 10 dias. Segundo o delegado Vinícius Teles, uma nova oitiva da investigada deverá ser realizada após a conclusão de outras diligências e da análise dos elementos técnicos reunidos durante a investigação.
Investigação descarta, por enquanto, crime premeditado
Sobre a possibilidade de o homicídio ter sido planejado, o delegado afirmou que essa hipótese ainda não encontra respaldo nos depoimentos colhidos. Embora a polícia tenha recebido imagens que indicam que a investigada costumava colecionar facas e, em algumas ocasiões, carregava mais de uma arma branca na mochila, os elementos reunidos até o momento não apontam para uma ação premeditada.
“Não podemos descartar nenhuma hipótese. Tudo está sendo investigado. No entanto, o que foi relatado pelas testemunhas até agora não indica que o crime tenha sido planejado”, ressaltou o delegado.





