“Você não é todo mundo”, né, mãe?

No novo artigo de opinião, a jornalista Helma Bessa faz uma reflexão sobre como as redes sociais têm influenciado nossa identidade, autoestima e a necessidade constante de nos compararmos com os outros

Quem nunca ouviu essa frase da mãe na adolescência? Bastava dizer que todos os amigos iam a uma festa, usavam determinada roupa ou faziam algo que a resposta vinha quase automaticamente: “Você não é todo mundo.”

Na época, a frase parecia dura, sem sentido e até injusta. Afinal, o desejo de pertencer faz parte da juventude. Queremos ser aceitos, fazer parte do grupo e não ficar de fora. Mas o tempo passa, a maturidade chega e percebemos que muitas mães estavam apenas tentando nos ensinar uma das lições mais importantes da vida: não precisamos viver para acompanhar a multidão.

Curiosamente, essa frase nunca fez tanto sentido quanto nos dias atuais.
Vivemos a era das redes sociais, onde a comparação se tornou rotina. Em poucos minutos, vemos pessoas com corpos considerados perfeitos, viagens, casas impecáveis, relacionamentos aparentemente felizes e uma vida que parece não ter problemas.

Sem perceber, começamos a acreditar que precisamos viver da mesma forma para sermos felizes ou bem-sucedidos. A busca por identificação acabou se transformando em uma busca por imitação.

Muitos influenciadores digitais inspiram, informam e produzem conteúdos relevantes. Mas também existe uma realidade que raramente aparece nas telas: por trás das fotos cuidadosamente produzidas e dos vídeos editados, existem pessoas comuns, com medos, frustrações, inseguranças e dificuldades, exatamente como qualquer um de nós.

O problema começa quando deixamos de olhar para quem somos para tentar nos tornar uma cópia de alguém. Perdemos nossa essência para seguir tendências. Mudamos a maneira de falar, de vestir, de pensar e até de viver para sermos aceitos por pessoas que, muitas vezes, nem nos conhecem.

Nunca tivemos tantas formas de nos conectar, e, paradoxalmente, nunca foi tão fácil nos desconectarmos de nós mesmos. Ser diferente passou a parecer um defeito, quando, na verdade, é justamente aquilo que nos torna únicos.

Não precisamos ter a mesma rotina, o mesmo corpo, os mesmos gostos ou o mesmo estilo de vida de ninguém. Nossa identidade não pode depender da aprovação de seguidores, curtidas ou comentários.

Talvez a velha frase das mães seja um dos melhores conselhos para esta geração.
“Você não é todo mundo.”E ainda bem. Porque o mundo não precisa de mais cópias. Precisa de pessoas autênticas, conscientes do próprio valor e capazes de entender que felicidade não é viver a vida do outro, mas encontrar sentido na própria
.

Hoje, olhando para trás, só me resta dizer:
Você tinha razão, mãe. Eu não sou todo mundo. E isso é exatamente o que me faz ser quem eu sou.

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