Aava Santiago contesta portaria que amplia terceirização dos CMEIs e aciona Ministério de Contas

Vereadora pede suspensão imediata de medida publicada no Diário Oficial, que permite a entidades privadas assumirem a gestão de unidades de educação infantil em Goiânia
Foto: Divulgação

A vereadora Aava Santiago (PSDB), presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal de Goiânia, apresentou nesta terça-feira, 29 de julho, uma notificação oficial ao Ministério de Contas do município contra a Portaria nº 350/2025, publicada pela Prefeitura de Goiânia no Diário Oficial da última sexta-feira (25). O documento autoriza o credenciamento de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para assumirem a gestão integral de unidades de educação infantil da rede pública municipal — o que, na avaliação da parlamentar, representa uma ampliação indevida da terceirização no setor.

Aava é crítica da medida desde sua publicação e alerta que a Secretaria Municipal de Educação já mantém cerca de 50 convênios com entidades privadas que atuam em caráter complementar. A nova portaria, no entanto, rompe esse limite ao permitir que as OSCs substituam diretamente o Estado na prestação do serviço, assumindo desde a gestão pedagógica até a contratação de equipes escolares.

“A educação infantil é um direito garantido na Constituição e uma obrigação intransferível do Estado. A proposta da Prefeitura não é um ajuste técnico, é uma manobra para repassar o controle dos CMEIs públicos a instituições privadas, sem amparo legal, sem garantia de transparência e sem ouvir a comunidade educacional. Aliás, a gente já vem identificando, há algum tempo, o processo de privatização dos serviços públicos sendo instalado, sem o menor pudor, pela gestão Mabel”, afirma Aava.

Segundo a vereadora, a portaria fere o Marco Regulatório das OSCs (Lei nº 13.019/2014), que permite parcerias apenas em caráter complementar, jamais como forma de substituição completa da atuação estatal. A medida também não encontra respaldo em legislação municipal específica e sequer prevê um processo seletivo competitivo, com critérios objetivos para a escolha das entidades credenciadas.

Na notificação encaminhada ao Ministério de Contas, Aava requer a suspensão cautelar da portaria e a apuração da legalidade da medida, com base na Constituição Federal, na Lei de Responsabilidade Fiscal e nos princípios da administração pública.

“Se essa medida avançar, estaremos institucionalizando um modelo frágil, que retira do Estado a responsabilidade direta sobre o direito à educação. Estamos falando de crianças pequenas, de famílias que dependem de uma política pública sólida, e não de um experimento terceirizado conduzido sem debate”, conclui.

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